
Notas de produção n° 1.
Como todo o bom Linuxer, sempre andei testando todo o tipo de lançamento até me adequar a aquela que me serviria para o resto da vida, ou até ler um artigo sobre alguma melhor, mais leve, mais amigável, ou até mesmo, mas “hard user” que todas as outras. Do Kurumin 3.nãoseiquanto ao ArchLinux, já tinha uma certa experiência e uma certa noção do que queria. Quando resolvi tomar parte desse projeto, acreditei que o primeiro passo seria a escolha da distribuição certa, não ao acaso, para a melhor qualidade e produtividade da produção de áudio, e também, visando deixar um exemplo a ser seguido, para quem estiver pensando em fazer o mesmo.
A idéia sempre foi partir do princípio do custo zero em software, sinceramente, independente de ser “open source” ou apenas freeware. Sim, qualidade também conta, e mesmo que as soluções open não sejam tão tradicionais quanto as que tinha no mundo azul do sisteminha da Redmond, a tempos não sabia o que era um sistema trabalhando o dia inteiro sem clamar por uma reinicialização.
No começo eu descartei distribuições feitas para produção de áudio como o Musix e o Ubuntustudio, pensava em algo que alguém que já estivesse com seu Linux instalado, por exemplo, pudesse instalar seus pacotes e começar a fuçar os programas logo após ler esse e outros artigos. No começo, desprezei o Ubuntu, já que tá na moda mesmo falar mal dele, embora seja um sistema que tenho o maior respeito, passei uns pesadelos na mão dele em função do Skype justamente por causa da configuração de áudio, e logo descartei. Parti direto pra minha segunda opção de distribuição “facinha facinha”, Fedora 9, e tomei um susto, com todo o respeito – MEU DEUS DO CÉL!!! QUE PORCARIA!!! - então é com aquela distro que os fans do fedora gostam de chutar a moral dos ubuntusers? Fala muito sério?
Tive boas experiências com o OpenSuse: leve, bonito, fácil de usar. Tive apenas um probleminha com kernel RT. Consiste basicamente em um kernel modificado para trabalhar em baixa latência, aumentando o tempo de resposta em tarefas de tempo real, aonde milésimos de segundo contam. Muito útil para servidores e, indispensável para produção de áudio. Pra se ter uma idéia, o servidor Jack, um assunto que predento abordar em breve, funciona muito mal sem ele. Sim, o OpenSuse me trazia a possibilidade de instalar um kernel RT pré-compilado, o problema é que não instalava o driver Nvidia nele nem com reza braba! Então recompilei o meu próprio kernel.
Foi quando eu ví que a coisa tinha ido para um caminho muito diferente da que havia planejado, recompilar kernel não está no meu conceito de “facilidade para qualquer um”. Então dei uma chance pro Ubuntustudio, ou quase isso. Instalei o Ubuntu 8.04, atualizei e mandei instalar os pacotes referentes ao ubuntustudio (claro, sou pobre e ainda tenho a minha velha gravadora de CD, não posso instalar distro de DVD ainda).
Mas não seria mais fácil simplesmente continuar no Windows?
A minha resposta é muito simples: pessoalmente NÃO!!!
Não estou aqui para fazer um bravo discursos contra o monopólio da Microsoft, e nem bravar pela superioridade desse ou daquele sistema, desse ou daquele programa, desse ou daquele modelo de desenvolvimento etc. Queria tornar esse trabalho viável, do ponto de vista econômico, sem ter que gastar 3 vezes o que minha máquina custou em software, e sim, tornar viável a publicação de meu trabalho intelectual respeitando a propriedade intelectual dos outros, sem pirataria alguma. Das licenças de programas que eu possuo, muitos são da era do windows 9x, incompatíveis com o windows XP, e venhamos e convenhamos, o Windows Vista está longe de alternativa viável, tanto no econômico, tanto na compatibilidade, e na competência trabalhando com pesados servidores de áudio, portas de entrada e fluxo de dados no disco rígido, mesmo que eu tivesse todo o dinheiro do mundo.
Sabe como andam as coisas? Muito bem, já não perco tanto tempo reconfigurando o sistema após a atualização, nem drivers, nem nada. Tenho mais tempo para escrever músicas, e até para cuidar de outras coisas. E sim, o sistema não me faz sentir saudades do Windows a maior parte do tempo. Bem ou mal, o ubuntu está com alguns probleminhas sim, um certo exagero em sua filosofia as vezes cria a falta de solução ao invés do conforto, mas está indo muito bem. Eu sei, qualquer hora ainda testo o ArchLinux com kernel RT. Mas só qualdo as coisas por aqui estiverem mais adiantadas.
Pois é, cheguei a escrever um artigo inaugural dessa seção de notas de produção descascando o coitado do ubuntu, vou ter que engolir ele ainda por um bom tempo.

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